Teresa Gonçalves Lobo

Exposição Atual

Exposição | A ILHA COMO NASCENTE | Teresa Gonçalves Lobo

30 January | 28 March, 2026

A exposição “A ILHA COMO NASCENTE”, da artista Teresa Gonçalves Lobo, é composta por desenhos de grande formato, realizados durante a última década, numa linguagem abstrata, com um sábio domínio da cor, destacando-se o movimento seguro e, ao mesmo tempo, delicado do traço.

Foi no início deste século que, durante um verão em Porto Santo, os galeristas Fátima Mota e António Macedo visitaram, pela primeira vez, uma exposição de Teresa Gonçalves Lobo, tendo ficado impressionados pela qualidade do desenho e pelas bonitas fotografias realizadas na praia de Porto Santo, com uma exploração poética da luz e da sombra.

É muito interessante que, depois de quase duas décadas de acompanhamento regular do trabalho desta artista, tenha sido programada esta exposição, que estará patente ao público ao mesmo tempo que outra, de uma artista também madeirense, com o título “Lourdes Castro: Existe Luz na Sombra”, no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na cidade da Ribeira Grande.


Fátima Mota
Diretora

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Exposições na galeria

2026

Biografia

1968, Funchal

Nasceu no Funchal. Vive e trabalha em Lisboa e no Funchal, com atelier nestas duas cidades.
Estudou desenho, pintura, gravura e fotografia no Ar.Co, Centro de Comunicação Visual, e no Cenjor.
Teresa Goncalves Lobo, cujo trabalho se iniciou há mais de duas décadas, centrou-se, logo de inicio, no desenho, campo expressivo onde tem desenvolvido notável pesquisa.
Tem exposto em diversos espaços em Portugal e também internacionalmente.
Destacam-se as suas participações em exposições coletivas como, em Révélations, no Grand Palais, 2013, e Made in Portugal, Naturally, 2025, ambas integradas na Paris Design Week.
Individualmente, Teresa Lobo apresentou a sua obra na exposição Unstill, na Galeria Waterhouse & Dood, em Londres, 2017. Mais recentemente, a artista apresentou a sua obra em conjunto com obras do acervo de Domingos Sequeira, na exposição com o título - Um Diálogo no Tempo, no Museu Nacional Soares dos Reis, na cidade do Porto, em 2024.
O seu trabalho tem merecido grande atenção da crítica e tem sido objeto de ensaios monográficos de autoria de vários críticos e curadores portugueses como Nuno Faria, José Manuel dos Santos, João Pinharanda ou Bernardo Pinto de Almeida.
Teresa Gonçalves Lobo encontra-se representada em diversas Coleções, privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro.

Exposições individuais

2024

TERESA GONÇALVES LOBO E DOMINGOS SEQUEIRA: Um Diálogo no tempo, (curadoria | curated by Bernardo Pinto de Almeida) Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, Portugal

2019

RESONANZ . RESONANCE, Churhaus, St Stephan, Viena, Austria | Vienna, Austria;

2017

Teresa Gonçalves Lobo, unstill_inquieto, WATERHOUSE & DODD Gallery, Londres, Inglaterra | London, England;

2015

Parte de mim, (curadoria | curated by Nuno Faria), Museu de Arte Contemporânea do Funchal, Madeira, Portugal;


2014

Leve linha, desenho | drawing, Galeria das Salgadeiras, Lisboa | Lisbon, Portugal;
Teresa Gonçalves Lobo – Desenho, desenho | drawing, Centro das Artes Casa das Mudas, Galeria | Galllery, Calheta, Madeira, Portugal;

2013

- Para além de…, desenho | drawing, Projecto Travessa da Ermida, Lisboa | Lisbon, Portugal;
- i em pessoa, desenho, gravura e mobiliário | drawing, engraving and furniture, Museu de Artes Decorativas Portuguesas / Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, Lisboa | Lisbon, Portugal;

2011

- Seguindo o traço, desenho | drawing, Fundação D. Luís I, Centro Cultural de Cascais, Cascais, Portugal;

2009

- Teresa Gonçalves Lobo – Zeichnungen, KULTURREFLEX.at - Die Verlangsamung, Vino Vitis - Landesgale rie, Linz, Áustria | Austria;
- Teresa Gonçalves Lobo – Zeichnungen, Franzoesiche Kulturinstitut Wien, Viena, Áustria | Vienna, Austria;

2008

- Rios d’Alma, desenho | drawing, Museu da Água de Coimbra, Coimbra, Portugal;
- Percursos, desenho e gravuras | drawing and engraving, Centro das Artes Casa das Mudas, Calheta, Madeira, Portugal;

Exposições coletivas

2025

- MADE IN PORTUGAL, naturally! | Galerie Joseph, Paris, França | France;
- ECODESÍGNEOS: DESENHAR O PÓS ANTROPOCENO | Bienal de Arte & Design do Funchal, CCIF - Centro Cultural e de Investigação do Funchal, Madeira, Portugal;

2023

- INCONFORMISMO, Mulheres na Pintura Contemporânea Portuguesa, Sala da Cidade, Coimbra, Portugal;

2021

- CONTEMPORARY ART 2020/21, online, WATERHOUSE & DODD Gallery - | Londres, Inglaterra | London, England;

2018

- NOWHERE FAST, (curadoria | curated by Miguel Matos), Projecto Travessa da Ermida, Lisboa | Lisbon, Portugal;

2016

- Utopia, hoje, (curadoria | curated by Ana Matos), Museu Abílio de Mattos e Silva, Óbidos, Portugal;
- Périplos / Arte portugués de hoy, (curadoria | curated by Fernando Francés), CAC Málaga, Espanha;

2014

- Гармония контрастов - Harmony of Contrasts, Cultural Center of the Ministry of Foreign Affair of the Russian Federation, Moscovo, Rússia | Moscow, Russia;

2008

- Caligrafias – Uma realidade Inquieta, curadoria | curated by Maria João Fernandes), Museu da Fundação Portuguesa das Comunicações, Lisboa | Lisbon, Portugal;

2006

- Exposição colectiva organizada pela Câmara Municipal de Pontault-Combault, Paris, França | France;

2005

- Arte na Planície, Homenagem a Mário Cesariny, Montemor-o-Novo, Portugal;

Textos

José Manuel dos Santos, in DESENHAR, Catálogo da exposição “da leveza do sonho” Lisboa, 2018

(…)
“A arte de Teresa Gonçalves Lobo tem atenção e espera. Procura a paciência e é paciente na procu-ra. Tem música e método, modulação e minúcia. Para falarmos da sua obra, as palavras devem ter duas recusas - a do excesso e a do defeito. Nem de mais, nem de menos. Devem olhar com olhos limpos e sem a ambição da acumulação viscosa e vistosa. Devem olhar com olhos largos e sem a resignação da exiguidade oca e opaca.
Esta obra é subtil e não simples. É fluente e não fácil. É leve e não ligeira. É densa e não dúctil. É sofisticada e não solene. É serena e não suave. É sustentada e não sobrecarregada”.

“Começa com uma ausência que é preciso transformar em presença. Sabe que é necessário dar ao não um sim que o desminta. Ela fala como se tudo fosse tão natural como a natureza, cujo sentido não se cansa de perscrutar, de procurar, de premeditar com os sentidos. Tem nisso aquela inocência de que Almada Negreiros tanto falava e tanto gostava. Mas essa inocência é, afinal, a inocência vi-sual e astuta, dolosa e dolorosa de Alberto Caeiro”.

Miguel Matos O desenho lido e sentido in Catálogo da exposição “ Para além de…” Projecto Travessa da Ermida Lisboa, 2013

“… sente-se uma espécie de energia que extravasa qualquer contorno definido. Há vida incontrolada que deles explode. Para além de um momento inicial de contenção há depois o jorrar de movimentos. Como se Teresa quisesse mais uma vez dar-nos um dos seus momentos interiores, mas no final desistisse da sua interioridade para partilhar sem reservas uma alegria quase sempre contida. Assim, de uma quietude minuciosa, Teresa passa ao vigor do traço rápido e espontâneo. O que se mantém é sempre uma verdade corporal, sem o agrilhoar do instinto. E um vocabulário pessoal, de letras e linhas capazes de formar palavras mentais que sabemos pronunciar em silêncio, mesmo que não saibamos ainda o seu significado. É como um segredo nunca dito mas já em si revelado.
Cada obra de Teresa Gonçalves Lobo é uma presença em surdina. As suas obras não se impõem ao observador, antes o convidam a olhar de forma activa e participando no sentido que produzem no espaço – seja ele o espaço do papel ou mesmo o espaço envolvente. E este será sempre um momento sagrado, mesmo que apenas dure um segundo.”

João Pinharanda inTeresa Gonçalves Lobo e a família dos is Catálogo da exposição “ i em pessoa ”, Museu de Artes Decorativas / FRESS, Lisboa, 2013

“Como se, na repetição desse gesto, Teresa Gonçalves Lobo tivesse encontrado a maior economia (elegância) possível para quem, como ela, escreve/desenha compulsivamente. Trata-se de registar através de um media (tintas, carvão) e de um instrumento (barra, lápis, caneta, pincel) uma livre coreografia de gestos: uma dança da mão, do braço, do corpo so-bre o/no espaço do papel. Através dessa dupla (inseparável) actividade de dese-nhar/escrever, Teresa Gonçalves Lobo deseja registar gestos/sensações, mantendo-se per-to do imediato (da natureza) para alcançar sentimentos, ou seja, para recuperar, construin-do, memórias (o subjectivo).”

Nuno Faria in O mapa do ar, Catálogo da exposição “ Parte de mim ”, exposição Museu de Arte Contemporânea do Funchal Lisboa, 2015

(…)
“A Ilha da Madeira tem essa escala em forma de representação e é, simultaneamente, quando a transportamos connosco (sim, uma ilha não se habita, carrega-se, leva-se uma vida inteira), uma enorme caixa de ressonância, uma máquina de emaranhar paisagens, uma vertigem permanente, um lugar arcaico e profundo, intenso e excessivo.
Estes desenhos transportam e representam este lugar atmosférico, são a materialização desse jogo de escalas e de afectos, de posse e de perda, são corpo e ar ao mesmo tempo, entramos neles como num mapa, abstracto e concreto. Projecção, vertigem e queda, por esta ordem”.

Tomás Paredes in “El Punto de las Artes” nº 910, 4 a 10 de Abril Madrid, 2008

(…)
“Poderiam ser cardiografias, naturografias, herbagrafias, cartografias da vibração da sensi-bilidade. É como um rumor de linhas que vão escrevendo um poema sem palavras, uma ve-reda sem caminhos, um desejo, pegadas de luz... como vestígios eróticos dum fio de seda, grafias que reduzem e abrem espaços, vias que desenham destinos impensados. Tudo o que é bonito, simples, parece fácil, mas estes desenhos de Teresa Gonçalves Lobo, são o signo da facilidade na dificuldade, porque não é comum dizer tanto com tão escassos e tão sóbrios meios plásticos”.