Silêncio, Daniela Krtsch
A obra de Daniela Krtsch reveste-se de um realismo inquietante, entre a tangibilidade do real e a verosimilhança do onírico; a sua precisão figurativa opera na esfera do conceito freudiano de “estranheza familiar”, onde o reconhecimento do familiar é subvertido por uma estranheza latente que coloca o visitante fora do seu centro de conforto.
As suas pinturas são narrativas em suspensão, silenciosas, à procura de uma totalidade inalcançável. O que é dado a ver acentua a ausência ou inacessibilidade do que está por vir. Todas as suas obras são atravessadas por um fio melancólico, sintoma de uma perda sem objeto, onde o humano e a natureza se encontram de forma desamparada.
As suas pinturas surgem como frames de um drama interior ou memórias fragmentadas em fundos neutros ou despojados que isolam as figuras, retirando-lhes o contexto temporal e geográfico, acentuando a sensação de vulnerabilidade ou introspeção profunda.
A sua obra vive entre o enigma, porque as suas imagens desafiam a razão para serem decifradas, e o mistério, pelo que de inefável e indizível carregam.