1ª Edição Bienal Walk&Talk – Gestos de Abundância

Joana Albuquerque José Pedro Cortes

25 September | 30 November, 2025

Obras

Press release

Gestos

Há algo de edificante quando, a partir de uma determinada periferia, se constrói um centro simbólico.
É esse o caso da Associação Walk&Talk, pela visão de Jesse James, que foi erigindo nos seus catorze anos
de atividade um plano de divulgação qualitativa da arte contemporânea nos Açores. O Walk&Talk, com a
Bienal – Gestos de Abundância, associa-se a esta missão de enaltecer a criação artística, promovendo
encontros, reflexões e práticas que expandem os horizontes culturais da região e projetam os Açores no
mapa da arte contemporânea. A Galeria Fonseca Macedo tem o prazer de colaborar com esta iniciativa,
reconhecendo na Bienal um espaço essencial de diálogo, experimentação e valorização do papel da arte no
presente e no futuro dos Açores.
Nesta exposição, que inclui obras de José Pedro Cortes e de Joana Albuquerque, o corpo surge
como um território suspenso — uma superfície onde se inscrevem hábitos, gestos e modos de estar, mas
também um lugar de projeção, silêncio e escuta. Através da fotografia e da escultura, as obras aqui
apresentadas delineiam uma cartografia relacional: imagens e formas que se entrelaçam, sugerindo
conexões entre corpos, infraestruturas e paisagens dos Açores e de outros arquipélagos atlânticos. São
fragmentos da mesma investigação sobre presença e impermanência, sobre como nos inscrevemos em
territórios de água, pedra e luz.

Ocean Rain (2025)
A partir de imagens recolhidas ao longo do tempo e em diferentes arquipélagos atlânticos, José Pedro Cortes
explora a impermanência, a imersão e a observação silenciosa. Através da fotografia, traça corpos e
infraestruturas em diálogo com uma cartografia subterrânea e vulcânica, onde o registo documental se cruza
com a potência poética de um olhar atento. As suas paisagens, retratos e naturezas-mortas tornam-se
mapas visuais da vida contemporânea — abertos, transitórios e inacabados.

Grandes Podões (2024)
As esculturas de Joana Albuquerque fazem parte de uma série na qual a artista prolonga a relação entre
corpo e território. Inspiradas num duplo sentido semântico — as ferramentas de poda e a expressão
micaelense “Grandes Podões” usada para descrever alguém desajeitado ou inapto para determinado
trabalho — as peças evocam as sombras de corpos em repouso, deitados no Pesqueiro, espraiados ao sol
e à água. Observado num estado de improdutividade, o corpo-ferramenta é aqui resgatado não como
instrumento de trabalho, mas como inscrição de práticas coletivas, rotineiras e terapêuticas.

Notas biográficas dos Artistas

José Pedro Cortes (Porto, Portugal, 1976) é um artista visual que trabalha principalmente com fotografia.
As suas fotografias – paisagens, retratos ou naturezas mortas – funcionam como um mapa de possibilidades
visuais que observam a vida contemporânea. Através de um registo pessoal, poético e documental, o seu
trabalho espelha um tempo de dúvida constante na construção das relações sociais: impulso ou fabricação,
vulnerabilidade ou força, superfície ou algo mais.
Joana Albuquerque (Ponta Delgada, 1993) é uma artista visual que vive entre Ponta Delgada e Munique.
Na sua prática, através da escultura, objetos e performances, observa e analisa gestos do quotidiano e
práticas sociais que a rodeiam. Interessa-se pela relação e interação entre o corpo e os objetos, pelas
dinâmicas de poder e pela subversão da funcionalidade. No seu trabalho, há uma admiração pelo inútil e
pelas coisas em repouso.