Jardim Iluminado

Beatriz Brum Sofia Caetano Cristina Ataíde

13 March | 17 May, 2025

Obras

Press release

Jardim Iluminado

BEATRIZ BRUM | SOFIA CAETANO | CRISTINA ATAÍDE

 

Falemos de jardins, para falar do seu contrário e da sua reinvenção. O jardim pode ser compreendido como uma forma de natureza domesticada, um espaço onde a intervenção humana molda e controla os elementos naturais para criar uma paisagem organizada, esteticamente planeada e, muitas vezes, funcional. Situa-se na interseção entre cultura e natureza, sendo uma manifestação do desejo humano de ordenar o mundo natural de acordo com valores simbólicos, estéticos, filosóficos e até utilitários.

A ideia de natureza domesticada sugere um contraste entre o mundo natural incontrolável e a ação humana que procura organizá-lo. A jardinagem pode ser vista, então, como processo civilizatório, no qual a vegetação espontânea é substituída por um arranjo projetado. Segundo Michel Baridon, em Histoire des Jardins, os jardins representam uma tentativa de conciliar a liberdade da natureza com uma estrutura de poder imposta pela cultura humana. Essa domesticação pode ser compreendida a partir da oposição entre physis (a natureza como algo espontâneo, de acordo com a filosofia grega) e nomos (as normas e convenções humanas). O jardim sintetiza estes dois conceitos: ao mesmo tempo que preserva elementos naturais, submete-os a um conjunto de regras simbólicas, criando um lugar de natureza artificialmente organizado.

 

Ana Cristina Cachola

Março 2025