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AUSTERIDADE, de Ana Vidigal

"A cabeça de Janus tem dois rostos. Fitam direcções opostas em simultâneo: a que fica para trás e a que está adiante.

Muito do que humanamente nos define é o horizonte que contemplamos. Erectos, vemos mais longe: o olhar é o centro de muitos comandos civilizacionais. Já o arrastámos pelo chão e já levantámos a cabeça – e não sei se não foi aqui que, de pasmoso, o olhar nos libertou as mãos até então agrilhoadas à terra, e nos ergueu pelos ombros para nos pôr de pé. É tal a força do olhar que inventou o gótico quando mais se demorava no céu de góticas mãos postas e sonhava a ascensão.

(...)

A reconquista a cada dia deste trabalho é a auctoritas: figura inteira, não dual.

Esta auctoritas, em Ana Vidigal, é a femina faber e é a femina ludens: cabeça de Janus. Não, não me contradigo. A inteireza é feita de algo e do seu oposto integrados. A femina faber é a pintora, formal, normativa. A femina ludens é a artista plástica do trabalho paralelo, informal, inconforme à norma. As duas são uma recolectora, organizada, parcimoniosa, obstinada, obreira abelha. A pintura descansa no trabalho paralelo. Ou é a pintora que descansa na artista plástica? Seja como for há uma só mulher que à noite dorme na cama. Porém são duas as mãos, mão direita e mão esquerda, a agir em conjunto na pintura e no trabalho paralelo: sim, são dois os rostos de Janus, todavia uma só cabeça. (...)"

excerto do texto de Eugénia Vasconcellos

 

OSSO, de Paulo Brighenti

As pinturas da exposição Osso revelam um trabalho em continuidade com a investigação iniciada na série de pinturas com o título Chama Dupla, 2012-2013. Questionam a visibilidade, o tempo e a perda.

 

A imagem da nascente de um rio repete-se num jogo de polaridades, numa permuta de valores positivos e negativos, escalas e intensidades, zonas de penumbra e de luz.

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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017