Caligrafia ◄ Voltar

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A celebração do Corpo de Cristo surgiu na Idade Média e consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. A tradição de fazer o tapete com folhas e flores advém de um acto de fé e de uma crença no divino.

Esta forma de arte popularizou-se por todo Portugal, inclusive nos Açores, permanecendo muito enraizada na ilha de São Miguel.

A forma como nas ruas se elaboravam os tapetes de flores, de carácter efémero, com a ajuda de grades em madeira e com recurso a formas geométricas básicas, serviriam de suporte modular para a realização de um padrão. Esta prática alargou-se a muitas famílias residentes que passaram esta arte de geração em geração.

Ao mesmo tempo, em outros locais do mundo, esta temática foi igualmente desenvolvida como forma de culto ao sagrado.

Nos Açores, os tapetes (com reminiscências mouriscas) entravam nas casas e eram utilizados para as pessoas se sentarem no chão, onde conversavam, realizavam algumas tarefas e oravam, assumindo um carácter que extravasava o elemento decorativo; eram, simultaneamente, mágicos e simbólicos, pois neles estavam contidos todos os desejos de felicidade.

Um tapete é uma linguagem, ou melhor, uma caligrafia muito especial com um vocabulário próprio que ganha corpo quando comunica connosco. Aparenta ter um coração a bater e bate com o poder que a força divina tem. Nos lugares/espaços, os tapetes são estendidos, abre-se um território e cria-se um lugar propício ao recolhimento e ao exercício do sonho.

Nesta instalação "Caligrafia", o facto de não existirem condicionalismos possibilita não só a sua deslocação para outro lugar, como permite criar novas composições consoante o espaço em que estiver montada. A peça define e constrói percursos, demarca territórios, tanto físicos como mentais. A nostalgia de um tempo passado, em contraponto com a contemporaneidade, permite viajar e ficcionar, dando dimensão, fluidez de movimento, jogando com o aspecto da efemeridade e fragilidade características desta peça.

O projecto "Caligrafia" é uma instalação de carácter semi-efémero na qual será utilizado o papel picotado (confetis), ao invés de flores, e estruturas em madeira que servirão de módulos para a construção do tapete.

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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017