COLECTIVA 2010 ◄ Voltar

COLECTIVA 2010, na Galeria Fonseca Macedo (15/07 a 30/09 de 2010) A Galeria Fonseca Macedo assinalou em Julho o seu décimo aniversário com uma exposição que reúne obras representativas de algumas das principais tendências da arte contemporânea. Catarina Branco, João Decq, Maria José Cavco, Sandra Rocha, Sofia de Medeiros e Victor Almeida assinam as quinze peças da “Colectiva 2010” com trabalhos muito variados em termos conceptuais e técnicos. O visitante encontra diversos exemplos dos diálogos que os objectos visuais contemporâneos mantêm quer com a tradição, quer com a actual heterogeneidade das expressões simbólicas. Se Sandra Rocha demonstra por que razão a fotografia ascendeu ao patamar artístico, com três imagens que representam, nos motivos e nas cores, uma visão singular das origens comuns da beleza frágil da infância, do planeta e das ilusões de permanência, já Victor Almeida explora as áreas de contaminação da pintura com a fotografia, impregando os seus quadros com a memoria do instante efémero, captado por meios mecânicos, e eternizando em pinceladas que ora definem os limites da material, ora os diluem em tonalidades e formas fronteiriças. Num registo diferente, Catarina Branco e Sofia de Medeiros regressam ao húmus da terra, trazendo de lá metáforas de troncos e de flores com que exploram o potencial escultórico de materiais como o papel e o pano. Muito embora seguindo trilhos distintos, ambas sublinham o poder da metamorfose fundada a golpes de lamina e agulha. Os bordados e recortes reenviam o olhar para lugares antigos onde a cola disciplina o caos negro e a linha costura ausências com cores vibrantes. João Decq e Maria José Cavaco representam os extremos de uma visualidade lúdica e séria, prolixa e focalizada. No primeiro, uma profusão de grelhas e cores expande o campo visual, sobrepõe camadas de sentidos e reúne na mesma superfície os planos da terra e do céu, e respectivas constelações. Dinâmica, a representação desdobra-se mostrando o seu próprio alfabecto em jogos de cor e movimento. Sobre este fundo polifónico três aviões pontuam a prodigalidade visual com o sinal da viagem, ela própria mensageira de experiências múltiplas. A “escultura imaginária” de Maria José Cavaco desafia o observador a um exercício de interpretação exigente, obrigando-o à decifração de mensagens verbais e visuais. Concentrada num ponto rigorosamente identificado dos Açores, mas mostrando-o sob várias perspectivas, a representação plural da paisagem convida à reflexão sobre o acto criativo. Este, revelando-se no auto-retrato da artista e nas intersecções das coordenadas físicas dos lugares com as ficções verbais, tece uma escultura fotográfica, pictórica e literária que prende o olhar numa teia de complexos estímulos estéticos. Leonor Sampaio da Silva


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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017