Entre uma costa e a outra ◄ Voltar

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A série de fotografias que Sandra Rocha intitulou “Anticiclone” tem uma história que integra várias estórias. Ou seja, tomando o anticiclone como metáfora, podemos dizer que em torno deste trabalho se expande um universo auto-referencial que se constituiu como uma diáspora pessoal, durante o tempo em que a artista percorreu diferentes espaços e lugares, retomando em cada um deles vistas de paisagens, registos de pessoas e situações inesperadas que o uso quotidiano da câmara fotográfica naturalmente absorveu e fixou. 
Por outro lado, o termo “anticiclone” situa e localiza, na cultura portuguesa, uma área geográfica específica onde se formam estes centros de altas pressões: os Açores. Acresce a esta coordenada topográfica uma outra, com uma longa trajectória histórica: a diáspora. Uma necessidade de deriva e de procura que tem um leque variado de razões, mas às quais pertencem estórias e laços que constroem uma rede de significados e de representações. É neste percurso, entre uma costa e a outra – entre dois continentes – que Sandra Rocha constrói o seu mapa de referências e de imagens, que não depende de um retrato, de um nome ou até da presença humana, porque neste projecto a presença de alguém é uma pré-existência constitutiva da memória da autora, que lhe permite construir um ideário fotográfico e poético independentemente da latitude ou da geografia dos afectos. E é sobre a fotografia, como possibilidade documental e prática artística, que a autora reconstitui a sua memória activa, recolocando o lugar, a luz, ou presença humana no universo da representação que reconhecemos.


João Silvério
Lisboa, Março 2013

Revisor de texto, José Gabriel Flores

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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017