Escrito na Água ◄ Voltar

"Oceano dos Açores Enigmático, A perder de vista, sem limites, Tapeçaria sem fim de que eu tentei agarrar o espírito. Oceano de luz e de cor, prisma de arco-íris Cujas ilhas simbolizam todas uma cor. Esta palavra (cor) está dentro do próprio nome do arquipélago. Dialoguei muitas vezes com o Oceano dos Açores, Neste lugar geográfico tão peculiar, à distância de todos os continentes E, contudo, captando-lhes as ondas pela propagação das correntes. Ponto nevrálgico, lugar histórico, falha telúrica. Estas ilhas utópicas evocavam o esplendor da luz nas telas renascentistas E lembravam-me que as grandes descobertas foram contemporâneas das Grandes criações da arte italiana. As ilhas dos Açores representavam a quinta essência do Oceano Atlântico. Eu não parava de ir e vir entre Paris e os Açores e de pintar e de fotografar para tentar captar esta matéria constante, mas tão fluida que parecia sempre inatingível, figura emblemática do tempo que escorre, na respiração incessante deste grande corpo líquido que nos rodeia e que nos imprime a saudade no coração. Eu tentava ler neste olhar, neste espelho do mundo e imagens apareciam nesta superfície cristalina que eu tentava decifrar: vibrações coloridas, alfabeto misterioso, pergaminho iluminado, partitura musical. A história da humanidade parecia inscrita nas suas ondulações coloridas e as fotografias captavam estes reflexos ao quarto de segundo e levavam-me numa grande viagem apaixonada e vibrante de cor. Traduzido por Maria Manuel Arruda "


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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017