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Vieira da Silva chega a Paris em 1928, apenas com 20 anos, ávida de conhecer o mundo das artes. Assim, o seu primeiro ano na cidade da luz é essencialmente dedicado à visita a Museus e Galerias e ainda frequenta a Academie de la Grande Chaumière onde desenha incansavelmente. Vieira que sempre admirou a gravura, sentiu a necessidade de fazer uma experiência nesse campo e em 1929 frequenta o Atelier 17 dirigido pelo grande gravador inglês Hayter. Porém cedo se apercebe que para ser uma boa gravadora, seria necessário dedicar-se quase exclusivamente a esta técnica. Porém tal facto não a impediu de fazer algumas experiências a aquatinta e a aquaforte, técnica na qual confessava ter sentido dificuldades devido às surpresas que surgiram durante a execução. Vieira não se sentia realizada ao executar as suas gravuras achando que as obras perdiam qualidade, especialmente problemas relacionados com a luz, e assim era frequente realçar essas provas, recorrendo para tal ao lápis, à aguarela e ao guache. A sua técnica preferida foi o buril, pois aí reencontrava o gosto pelo desenho. Em 1937 regressa ao Atelier 17 onde executa algumas gravuras já de grande qualidade. Porém a 2ª Guerra Mundial interrompe o seu trabalho no campo da gravura, devido ao seu exílio no Brasil e assim somente em 1948 realiza a sua primeira litografia. Por sugestão de Pierre Loeb e por amizade a dois jovens portugueses, Lourdes de Castro e René Bertholo, executa uma série de serigrafias, cuja tiragem é executada por aqueles dois artistas. Nesse mesmo ano, ou seja em 1959, o poeta René Char convida-a a ilustrar a sua obra “L’Inclémence Lointaine”. Vieira leu e releu esses poemas e resolveu utilizar novamente o buril. A realização dessas gravuras ocupam-na durante dois anos e não procurou fazer ilustrações para os poemas, o que levou o poeta a estabelecer uma nova ordenação e ainda a alterar a escolha inicial. A partir deste magnífico trabalho, a gravura e a serigrafia passam a ser mais frequentes na obra de Vieira da Silva e não podemos deixar de assinalar as obras figurativas que são os magníficos retratos de André Malraux e René Char. Ainda que um pouco contra a sua vontade, Vieira transforma-se numa excepcional gravadora para quem o buril não tinha segredos.

José Sommer Ribeiro

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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017