Inquietação ◄ Voltar

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Geralmente funciono no campo da arte, quando as imagens que me vão surgindo se tornam obsessivas e que resultam geralmente de vivências, e raramente de memórias. Desta vez foram imagens e títulos, o que não era habitual.

Agora estamos a viver uma das crises mais longas e penosas, de total desmoronamento e tensão, e sem saída à vista, o que nos deixa pouco espaço para podermos ser pessoas inteiras.

De qualquer modo, Portugal é um belo país do sul, frágil, emotivo e pouco racional, que oscila entre o bom comportamento e o desregramento. Penso que ainda não decidiu, se quer ficar, ou não, na União Europeia, com a qual não parece identificar-se o suficiente, ou se prefere orientar-se por outros continentes.

Mas parece que toda a Europa vai ter que alterar o seu actual sistema estrutural e de funcionamento, que não se sabe como será, e quanto tempo irá demorar.

Talvez por tudo isso, senti que era altura de actuar, desviando a minha atenção para a arte, através da minha ultima obsessão, a da crise, a última que tenho vivido e assim poder observá-la de uma maneira mais distanciada.

Os meus filhos, e do Eduardo Nery, a Paula e o Miguel, assim como o Paulo Pires do Vale, incentivaram-me e ajudaram-me muito a avançar.

Não é por acaso que os títulos da exposição sejam: os principais ”Inquietação”e “Sala de espera”, e os subtítulos: “O desenho da menina a fugir do seu suporte”, “Os móveis a fugirem do seu desígnio” e “Os móveis a assumirem a sua inutilidade”.

Ana Vieira

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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017