Itinerários Íntimos ◄ Voltar

"Seguindo o itinerário proposto, espreita-se um recanto que logo depois se traduz num pormenor. Aqui a voz do silêncio e a intensidade da luz conduzem o nosso olhar para a imagem. Numa perfeita sintonia incutem uma sensação de calma e harmonia. Em cada ângulo descobre-se um espaço familiar, um lugar que não é habitual partilhar. Permite-se invadir a intimidade de alguém e, simultaneamente, evadir os nossos pensamentos imaginando os sons, os cheiros e as cores que diariamente coabitam. É estranho! Vemos o rádio mas não há som; vemos candeeiros mas não há luz; vemos colheres mas não há sabor; vemos flores mas não há cheiro; vemos cadeiras mas não há ninguém... a solução mora no prazer de imaginar. Cada um de nós ouve a música, vê a luz, aprecia o paladar, sente o odor, vê quem quiser ver. Esta sinestesia permite prolongar a imagem, distorcê--la , metamorfoseá-la ao nosso sabor. Ao longo das imagens o pormenor surge diluído na cor, contudo ainda que enfatize a frescura e a liberdade de movimentos, ele não é óbvio, não é singelo. Deixa-se no ar a curiosidade de desvendar o que não se observa. É o olhar atento e indiscreto de Monteiro Gil que deixa entreaberta uma porta para a sua intimidade conferindo ao trabalho um cunho bastante pessoal. Passo a passo encontramos uma dicotomia entre o todo e a parte, uma dualidade entre o real e o verosímil. A magia da imagem enfeitiça o nosso percurso, ilude-nos. Perdidos? Não! Há sempre uma luz vinda de uma janela ou de um reflexo escondido que nos conduz, que nos inspira. Aqui, além... em ti... sem ti... neste ou noutro lugar deambula-se na intimidade do outro, invade-se o alheio. Somos cúmplices da curiosidade do artista, entramos até onde o seu olhar permite. A cores... a preto e branco... Ana Palma "


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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017