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Máquina nova de alcatroar

Saí de casa e fui surpreendido com a visão rara de uma máquina nova de alcatroar ao fundo da rua. Fiquei paralisado. O amarelo cadmium, àquela luz, era inacreditavelmente belo e permanecia imaculado. Aproximei-me para observar a máquina de perto. A pergunta que me pus, e a única para a qual me interessava saber a resposta, é se iriam começar a usá-la nesse próprio dia. Tudo levava a crer que sim, pois havia gente suspeita por perto. A aderência ao amarelo do primeiro alcatrão, a mais indefectível das aderências, representava para mim um motivo de interesse mais do que suficiente para ficar ali especado a aguardar que os primeiros pingos se depositassem. Mas não fiquei. Concluí que, a uma escala diametralmente oposta, o espectáculo em tudo se assemelharia ao primeiro dia de trabalho de um ácaro, que eu já conhecia.

José Loureiro
Março 2019


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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017