Slow Atlas ◄ Voltar

A exposição "Slow Atlas" é composta por três séries de trabalhos: um conjunto de desenhos em grafite sobre mapas, pinturas monocromáticas de grandes dimensões, fotografias da série “Slow Atlas”, que dão o título à exposição, e ainda um objecto escultórico.
A série de desenhos condensa em si a ideia da experiência da deriva. Apesar de partirem de mapas originais, o artista desconstrói o seu carácter geográfico, procurando revelar mais a experiência do homem com a natureza do que a sua representação científica. São desenhos que nasceram de uma residência artística nos Açores, na qual o artista se debruçou nos primeiros registos museológicos, levados a cabo pela observação directa, muitas vezes empírica, dos fenómenos naturais, meteorológicos e geológicos da ilha.
A série de pinturas monocromáticas, com o título “O Mapa de Bellman” desenvolve a pesquisa sobre os fenómenos da ilha. Refere-se ainda a uma passagem do livro “A Caça Ao Snark” de Lewis Caroll, no qual as personagens empreendem uma busca por uma criatura fantástica que é o Snark. Como único instrumento, têm um mapa, um mapa do oceano, um vazio absoluto. Tal como nas primeiras ilustrações monocromáticas apresentadas no “Salons des Arts Incohérents” em 1883, onde um ecrã sólido de cor homogénea era acompanhado de uma legenda descritiva. Vinte anos antes das primeiras pinturas negras de Malevich, podem-se considerar o embrião da pintura conceptual monocromática do século XX.
Numa escultura de parede em madeira, com três formas hexagonais, repousam dois mapas fechados, uma Carta Norte e uma Carta Sul.
Por fim, a série de fotografias que dá o título à exposição. Um arquivo pessoal, de viagem e documentação, onde podemos encontrar imagens dos Açores, do Tirol austríaco ou dos Pirenéus franceses, uma escolha heterogénea de fotografias que constitui o corpo de um arquivo que o artista encara como um Atlas, e que reforça a pesquisa que tem efectuado sobre a geografia de espaços conceptuais, nos quais vai produzindo um caminho de deriva, no qual assenta o seu trabalho.


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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017