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"Paisagem - exposição de Maria Tomás - texto crítico de José Miranda Justo ""Da infinitude dos espaços ao intimismo dos afectos, Maria Tomás guia-nos em visita às profundezas de nós próprios. Entre a ansiedade e a plenitude, a violência e a serenidade, a dimensão humana emerge da ordem geométrica, estruturante - conceptual - de forma subversiva, irónica."" Rui Saavedra, in Catálogo de ""Florestas, flores, alguns corações e outros mitos"" - Sociedade Portuguesa de Autores, Lisboa, 1999 ""Da convicção de que é necessário estabelecer interacções nas prácticas da Gravura, da Pintura e da Escultura-objectos, dilatando o conceito de que a obra é objecto marcado pelo fazer inerente à técnica, tento esbater estes limites elaborando um outro discurso interpretativo, ao estabelecer um fio condutor entre estas três artes plásticas, onde as questões de imagem, figura, representação e representado, poderão ser analizadas noutra ordem semiótica da estética, da filosofia e da política. É na problemática da reprodutibilidade enquanto facto simbólico que é situado o campus do meu trabalho."" Maria Tomás, in Exposição de Gravura/Instalação - Galeria Diferença, Lisboa, 1999 ""É o desejo de refazer o mundo que leva Maria Tomás a escolher as cores e as formas. Imaginativa, a sua pintura é capaz de afastar e aproximar num movimento dialéctico entre sentimento e razão. Assistimos, assim, à emergência de um mundo especificamente humano, isto é, de uma nova realidade produzida pela pintora."" Natália Almeida, in Catálogo de ""Florestas, flores, alguns corações e outros mitos"" - Galeria Arco 8, Ponta Delgada, 1998 ""Essa/esta alma errante, procura em cada desenho encontrar um mundo em que a parte inferior é simétrica da superior, ou em que a forma e fundo se tornam igualmente pregnantes. O negro como o basalto e o magma escuro (memória das ilhas e do caos) adquire uma força específica e simbólica, e a luz surge iluminando a outra face do caminho a percorrer. Recorrendo a estruturas muito simples, numa linha quase minimal, estes desenhos assinalam, por um lado uma simplificação da pintura que Maria Tomás tem vindo a desenvolver em que de um modo geral as estruturas se apresentam mais complexas, como se fossem cristais, predominando em muitos casos os negros, brancos e amarelos acusando transparências de luz e de planos intersectados."" Cristina Azevedo Tavares, in Catálogo de ""Dez Desenhos Órficos"" - Galeria Diferença, Lisboa, 1997 ""Quis aqui manter-me suspensa. No negro mate que não reflecte a criação, vácuo do ainda não manifesto, faço a translucidez entre o visível e o invisível. Uso a luz para unir contrários, num ritual. Possa o gesto gastar todo o significado, ou por saturação ganhar novos sentidos."" Maria Tomás, in Catálogo de ""Negro Mate"" - Biblioteca Nacional, Lisboa, 1994 ""De certo modo, Maria Tomás - e é nisso que a sua experiência se torna tão interessante e especial - retoma o retábulo, a persistente tradição modular e expressional da pintura, ao mesmo tempo que se inscreve num ponto de partida minimal que se estende a um seu contrário, à exaltação exteriorizada do barroco. Assim, poderíamos pensar, creio que é o caso, num lado português, bem nosso, desses entendimentos. O que é, crei eu, bem estimulante de ver feito pintura, com dimensões e aprofundamento, como deseja e se propõe fazer e tem vindo a provar que é capaz, a artista. Fernando Azevedo, in Catálogo de ""Tempo de Ninguém"" - Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1992 ""A visão cósmica do ser humano é muito antiga, já Platão, n' ""O Banquete"", o descreve como uma esfera, depois dividida em dois sexos. Ao feminino, chamou Freud, com modéstia, em tempos mais recentes, o ""continente negro"", com isso querendo evidenciar a desmesura do segredo que a mulher encerrava para si, inacessível ao seu psicanalítico escalpelo. Jamais esta esfera é de cristal, sopesável e observável na mão de ninguém. Eu, esfera, me confesso: jamais a minha redonda vida poderá ser de todo contemplada na palma da minha mão - diz o ""continente negro"" instalado nas paredes brancas da exposição do conhecimento da Maria Tomás. Pelo contrário, vejo-me parcelarmente, e também os outros constituem um objecto que possa ser abarcado na sua completa integridade. Maria Estela Guedes, in Catálogo de ""Continente Negro"" - Galeria Espaço A, Lisboa, 1990 ""Olhar de soslaio para as obras de Mkaria Tomás, produz um certo impacto. Aglomerado de lembranças: talvez as que dizem respeito às nossas esperanças perdidas. Jogàmos na estética do fragmento, na pintura-textura, no entrelaçamento do decorativo com o sentido. Este forte sabor a passado está afinal ainda bem presente nas nossas mundanais preocupações e paradoxalmente constituem um ""moderno"" sem futuro."" José Ernesto de Sousa, in Catálogo de ""Oceano Contínuo"" - Galeria Diferença, Lisboa, 1988; Galeria do BCC, Mass. USA ""Dos fragmentos à totalidade vai uma certeza ou um segredo. Os olhos porque vêem e calam, repetem esse gesto inicial. José Miranda Justo, in Catálogo de ""Fragmentário"" - Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1987 "


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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017