VERMELHO SANGUE DE BOI SOBRE O MAR DA ILHA ◄ Voltar

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Visitei-os em verões sucessivos. (Chamo-me F. Não que o meu nome possa interessar, mas de qualquer forma aí fica para que se não pense que este texto é de um anónimo.) Primeiro chegava S na segunda quinzena de julho. Depois chegava J M pelo meio agosto. Ficavam uns dias na partilha da casa, da casa e do bosque, porque nesses anos oitenta e nos inícios de noventa o bosque ainda não tinha sido sacrificado; ainda não tinha sido destruída essa quase selva de silvas que se enredava num plantio de figueiras, loureiros, bâncseas com muros derrubados e tornado campo raso para a bosta das vacas. Das vacas, quando S chegava não havia sinal do pelame nem dos olhos mansos nem do compasso das caudas afugentando as moscas, eram retiradas na véspera, ficavam as grandes poias. «Não supões como o monturo das vacas leva tempo a secar.» Disse-me S mais de uma vez. «Isto ficou uma desolação. Já não tenho as sementes do funcho para as saladas. Ao menos deixassem as vacas que são solitárias como as grandes paixões, desertificam o verde mais puro e na ceifa do verde instalam o seu império. Não se vai longe no território da paixão. Quando se é ainda muito rapariga fazemos de tudo, mesmo dos olhos de uma vaca, um epílogo apaixonado. Tu verás, quando J M chegar: ele ainda é capaz de fazer de um interesse psicológico, tão vago como apanhar alguém a olhar para outro alguém, ocasião para observações eróticas. Para ele a presença da paixão nunca anda longe. Mas sempre dos outros. À paixão nunca se deixou sujeitar. Tu verás; e os fins de agosto e setembro são o tempo certo para amar a duração do amor — não é assim a paixão? E depois J M é capaz de fazer aquilo que Neptuno fez por uma ninfa — e então aqui com o mar da ilha a fechar por inteiro o horizonte —, transformou-a em homem. Antes as vacas a este campo rapado. Que gozo dá ir agora pelo caminho de baixo e subir até à mastaba (S chamava sempre mastaba ao mirante)? Nos outros verões chegava lá acima com uma gota de sangue na cara (J M nunca diria cara, diz sempre rosto, estas são as pequenas diferenças entre uma pintora e um poeta), por causa das malditas silvas. Nem uma amora por conta. O ano passado ainda as disputava com os melros; agora somente esta chapa de azul batido a toda a volta.» «E não é suficiente? Para que precisavas do campo das figueiras, das silvas, do funcho, das cepas velhas com cachos que não vingavam?» «Para as pintar em barras de cor que explodiam sobre o azul negro do mar, nas manhãs em que me levanto cedo. Assim, é como se tivesse dado tudo de barato. Fiquei com o metal do mar e o negro da terra. Uma mulher sente-se perdida quando deu tudo. Dar é perder e também ser roubada. É como quem perde a inocência, que não tem nada a ver com sexo. Perder e ser roubado e dar são para um homem um elemento negativo, quanto mais depressa der e perder e for roubado tanto melhor, pois faz da fraqueza um hábito. É esse o território da sua batalha. A sua resistência. Connosco não. Não é assim. Dar, perder e ser roubada são a essência da nossa natureza. Precisamos de guardar essas capacidades não as activando. De que vale o mar sem uma única amora ou sem um grão de funcho?» Mas não se pense que era constante este resmungo. S guardava quase sempre silêncio quando a visitava, ao fim da tarde para um café ou para darmos um passeio nos melhores tempos, que foram, de facto, os dos primeiros anos em que subir ao mirante não era fácil ou percorrer os caminhos da cerca, sendas que só passado os primeiros quinze dias se dispunham a oferecer um chão capaz de ser passeio e exploração que não dispensava nunca uma tesoura da poda. Às vezes ficava para jantar. O mesmo acontecia quando já corria a segunda quinzena de agosto. S regressara ao continente. E quem passava a viver na casa era J M. Sei que ambos, ao fim da manhã, desciam ao porto da Caloura para tomarem café. Nunca os acompanhei. Sei que o faziam todas as manhãs, pelo menos J M, que de uma vez me disse: «Vou lá abaixo todas as manhãs tomar café, beber uma água das Lombadas — deve fazer bem, é como se bebesse enxofre — e ver como é o café e a esplanada na ausência de S. Ela pintou muitas vezes o azul ultramarino daquela mesa grande.» Mas pouco importa o que deles penso ou o que me ligou a um e a outro. Vi-os sempre em separado. É que na semana em que viviam na casa, após a chegada de J M e antes da partida de S, nunca fui à casa da Caloura. Despedia-me de S uns dias antes da sua partida e visitava J M somente ao fim da sua primeira semana na ilha. S fazia sempre um telefonema do aeroporto a despedir-se; e ele escrevia-me uma carta em que me dizia estar já na Caloura e esperar a minha visita, mas que era melhor não me fazer ao caminho antes de dia 18 (tinha a noção exacta de que para um insular a distância entre a Ribeira Grande e a Caloura podia ser muita distância), por causa das festas e das procissões do meio de agosto. O que quero e vou aqui deixar são algumas das páginas que um e outro me enviavam uns dias depois de chegarem ao continente. Pequenas impressões, muito íntimas, pelo menos para mim. Íntimas sem qualquer indício de intimidade, por isso posso dá-las a ler à minha velha tia ou mesmo ao padre da minha freguesia. Terminam sempre com a data, ao modo de diário. Datas que não transcrevo, pois não vou respeitar qualquer temporalidade, tal como irei somente deixar aqui algumas passagens. Tanto podem corresponder a dias consecutivos, como ao primeiro ano das suas presenças seguir-se uma passagem do último verão. Serão assinaladas no final com um [S] ou um [JM]. O meu corpo ainda não se decide a uma entrega à ilha. A minha respiração pesa mais no colchão do que o próprio corpo. Quando a recuperar, isto é, quando o peso certo se estabelecer de um modo harmónico entre o corpo e o respirar, então há acordo entre mim e a ilha; e para isso sei que é preciso que o meu peito não se mexa mais do que o de uma criança adormecida. Levanto-me e vou para o terraço. Levo uma cadeira, destas de plástico, para o extremo e finco os pés no muro baixo. Do outro lado, as copas das figueiras, à altura da minha mão. Interrogo as novidades no céu; mas as novidades no céu nocturno são sempre a antiguidade das estrelas. Entre ele e mim, visto da janela, era difícil estabelecer relação: com o seu peso, a minha respiração embaciava os vidros da janela. Aqui fora, no terraço, o meu sopro não vai toldar a noite. J M fala-me das noites tempestuosas e claras do terraço da Caloura. Nunca percebi muito bem da possibilidade de uma noite ser, a um tempo, tempestuosa e clara. Agora sei o que ele queria dizer, a tempestade surge inesgotável dentro da minha cabeça, imagens que se fundem, dilaceram; um tumulto em relação com o negro claro da noite. Para lá do meu respirar é grande a calma: o vento, as nuvens que correm rápidas, ouço-o, vejo-as dentro de mim. Regresso ao quarto. Entrei pelas portadas do palácio de cristal — J M é assim que chama ao corredor, em clarabóia, que une os dois corpos da casa —, sentei-me à mesa, abri o bloco de desenho e a caixa das aguarelas. Voltei a passar o palácio de cristal, que é de facto uma galeria de vidro sustentada por uma frágil armação de madeira, para ir à cozinha encher dois pequenos copos de água; um, para dissolver as cores, outro, para lavar os pincéis. Regressei à mesa. Pintei a negro, com os diferentes negros que consegui, a noite vista do terraço. Negros, amarelos, brancos e cinza. O azul negro do mar. Mas não consegui o mais difícil: o tempestuoso em mim. [S] Pergunto-me porque me converti deste modo aos Açores. O meu gosto por ilhas. Desde sempre a visão das Berlengas e o Baleal. Uma vez, um amigo escreveu-me uma carta em que me dizia «tens que conhecer os Açores». No dias que se seguiram a essa carta vi, no Museu de Arte Antiga, uma tela de Crivelli. Foi no inverno de 80. A «Virgem, Menino, Santos e Doador» só muito lateralmente tinha a ver com os Açores: a pintura pertencia a alguém de S. Miguel. Ignoro o seu nome. De resto, como pude comprovar nas ilhas, as suas gentes são um acumular de castas, de extractos que entre si não comunicam ou, se o fazem, os seus elos são imperceptíveis a um continental, que é sempre um estrangeiro, um pequeno inimigo que inscreve o uso dos verbos perder, vencer, gozar, sofrer — viver e morrer — a uma outra latitude. É um facto que me seria fácil saber, junto do museu, o nome do proprietário do Crivelli. Nunca o fiz. E quis a sorte que a minha chave na ilha (um seu natural) pertence, ou circulasse, num plano não coincidente desses vasos incomunicantes onde repousam as gentes da ilha. Conheci muitos açoreanos, quer em Coimbra quer em Lisboa. De alguns fiquei amigo, mas todos eles traziam consigo uma reserva em relação às suas ilhas, como se de uma coisa demasiado privada se tratasse. Essa reserva escondia um motor de propriedades, que sempre parecia dizer «o que deus permite está na nossa ilha». Era uma evidente duplicidade da pessoa, uma espécie de estado mórbido primitivo a que nem eu nem ninguém, que não fosse insular, poderia chegar. Valor, recursos e uma forma de tréguas mesmo, sobre o sofrimento repousavam além, na lonjura atlântica, na distância. Faltava-lhes, no ardor dos argumentos de quem é muito novo, um sentido de finalização. Não foi, pois, nenhum desses meus conhecidos açoreanos que me trouxe até aqui, a esta casa da Caloura. Estadia que geralmente é um terminar de mais uma etapa viageira pelas outras ilhas. Foi a pintura de Carlo Crivelli a grande responsável por este meu lado, de certo modo tão açoreano, de trazer nas ilhas um sentido infindável que procuro quando posso; e quando não posso sei procurá-lo na ilha que passou a existir dentro de mim. Foram esses personagens (virgem, menino, santos e doador) que me fizeram chegar à relação de ilha, que me fizeram partir da sua matéria de pintura, primeiro, para a materialidade física ilha e, posteriormente, para a capacidade de sentir em termos abstractos a realidade ilha. [J M] Estive sentada sob os plátanos, a ler. Pousei na borda do lago um copo e um balde de gelo com uma garrafa de João Pires, que ontem ao fim da tarde me trouxe F. Parei a leitura para ver duas cabras que saltaram o muro e que comiam a eito tudo o que era rebento verde. O vizinho da casa da frente, que anda sempre a espreitar, veio ao portão para me avisar. Disse-lhe que gostava de cabras. Ficou a olhar para o balde com a garrafa. No seu íntimo deve ter dito que também eu era cabra. Quando voltei a olhar para o portão já lá não estava. Peguei no bloco das aguarelas e passei ao papel cores intensas que, ao inclinarem-se em curva, para a próxima cor, bruscamente se atenuam, como se desmaiassem, como se perdessem o seu sentido de cor na fundura da próxima cor. Amarelos, vermelhos, azuis, de repente tomam um halo delicado, um deslizar que submerge na voluptuosidade de um círculo negro ou de uma velatura branca; e também num castigado castanho. Que o castanho e o verde seco, assim como a virilidade metálica do azul marinho, são cores do verão. Cores que também elas se liquefazem na passagem dos últimos dias de julho para o início de agosto. Quero passar para estas aguarelas a condição vacilante do verão: vulnerável e invulnerável. (J M vai chegar aí e não vai parar de escrever poemas; se eu fosse poeta só escreveria durante estes meses; mas não é assim, escrevem em qualquer mês tal como eu pinto em qualquer altura.) Vulnerável / invulnerável: ferido, mas intacto. Disposto a aceitar — o verão, a masculinidade do verão — os seus pontos débeis. Um instante depois, triunfante por ter vencido a sua debilidade: corpo a um só tempo delicado e que não pode ser quebrado. Um melro desceu do metrosídero para o lago vazio. Procura qualquer semente no meio das folhas secas. [S] De certo modo assemelhávamo-nos a uma página arrancada a um caderno de escola, a uma cadeira onde nos sentássemos ao sol, entre o bem e o mal, a um estado de indigência sobre o deus da ilha que nos vem à ideia. Não estávamos longe, nesses dias do fim de agosto do ano passado quando nos juntámos aqui, nesta casa (até recolhemos uma cadela abandonada, a que chamámos Terceira, e uma gata tigrada que deu pelo nome de Graciosa), de uma inquietante oscilação entre o bem o mal: de um lado, a tão composta ortodoxia da ilha que nas tardes de domingo se revia nas procissões de agosto; do outro lado, uma ordem sem trégua, uma confusão de termos que se traduzia no álcool de sábado à noite. Cobria-nos um calor húmido. Por vezes, levávamos à testa a palma da mão para arredar uma gota de suor; isso era comum em um e outro quando subíamos do pequeno porto para a casa; pelo fim da manhã, o pior calor. Mas aos domingos nunca saíamos, no ano passado. Representávamos o enfado com os demais, com a nossa própria condição e com o mundo. O portão permanecia aberto e o baixo muro em redor do pátio acabara de ser caiado. A cale feria quando o sol lhe trazia o fundamento branco da luz: o corpo estrangulado do verão. O branco isolava-nos. Ficáramos os dois. Os outros tinham ido para a praia. Trocávamos entre nós as páginas dos jornais. O sol estreitava o muro branco e separava a negra terra de onde irrompia já a mortal flor da beladona e a altura do ar. O saco de plástico preso sob uma pedra e de mistura com folhas e folhas de jornal davam a certeza da alheia leitura de um sábado. (Na ilha, os jornais chegam no dia seguinte.) Vindo de muito além, pressentimos o que quer que fosse de perigoso; aproximava-se. O portão permanecia aberto, de par em par, nos ferros da sua grandeza aparente. Um carro passou então na estreita estrada, levantou poeira. Ele, o que estava comigo, levantou-se, deixou os jornais sobre a cadeira, e foi, a assobiar baixinho, abrir a torneira que começou a encher o lago. Passou um ano sobre estas imagens de domingo. Foi uma das suas últimas horas da ilha. Lembro-me do canto desarticulado dos melros nos ramos dos plátanos. Deve ter sido o deus da ilha (por qualquer motivo estou sempre a ver se se revela) que lhe deu a morte. «Deve ter sido», digo, pois a morte passa sempre adiante da sua forma e um deus não quer exactamente matar, satisfaz-se com ferir. [J M] Convidei F para almoçar numa esplanada de Vila Franca do Campo. Voltei a entrar na igreja matriz para rever a taça poligonal do baptistério, gótico tardio dos mestres que ergueram o portal. Desci até à ribeira do mar; ainda não será este verão que irei ao ilhéu. A pedra circular da ilha é a carne, a pele que envolve a pequena laguna interior. Concha que abre ao mar. A rocha é um envoltório a que pertence, por inteiro, o qualificativo de delicado, belo, negro, desejável. Vejo-o como o corpo de um guerreiro que acabou de receber dentro de si um projéctil inimigo — o mar. [S] Vagueio pelos caminhos, mais pressentidos do que realmente existentes, dos terrenos da casa. Aos meus ouvidos vai chegando uma voz; primeiro quase um murmúrio, depois, claramente uma voz: «Regressa a tua casa.» «Deixa-me tranquila.» Acabo por dizer de forma audível, pois era insistente o «regressa a tua casa». «Peço-te, regressa a tua casa. Nem sequer percebes que ainda não pintaste senão uma e a mesma variante de um amarelo, vermelho, azul e negro. Não passa de uma dança de amores de verão.» «Enquanto estou aqui é esta a minha casa. E vou ficar até J M chegar. Nessa altura a casa passa a ser dele, então ir-me-ei embora. Dá-me prazer o que estou a pintar, não peço mais à cor, somente que continue a ser vermelho, negro, branco e azul-negro-verde-branco-mar, tal como o aprendi com Monet.» «Com Monet não podias por causa do negro. Com Boudin e Courbet.» «Com Renoir e Whistler.» «E com Manet, Morisot, van de Velde, o novo, Fantin-Latour, Hiroshige... e não digas mais senão perdes. Anda. Regressa a tua casa.» «Odeio a minha casa.» «Então chora. Chora de uma vez por todas.» «Não tenho lágrimas no verão.» «Então come. Come o bolo lêvedo que compraste em Água de Pau.» «Dei-o aos pássaros, da janela da cozinha. Estava cheio de bolor.» Então dei-me conta de que não era eu quem respondia, era alguém, uma outra mulher, tão audível e tão invisível como a primeira voz. Além do mais eu não comprara nenhum bolo lêvedo nem o desfizera com os dedos para lançar os pedaços aos pássaros. E gostava até de perguntar a essa voz quem era Hiroshige. Mas as falas passavam-se ao meu lado, ao lado do meu caminhar. Eram vozes que simplesmente me acompanhavam. E a primeira voz voltou: «Deixa esta casa e regressa à tua verdadeira casa.» «Não posso. Não quero. Estou grávida de um homem morto. Tenho que matar-me.» «Enforca-te então. Nada te pode salvar.» Não ouvi mais. Um cão seguia-me. Rosnava. Sentei-me no banco de pedra, sob a figueira, ao fim do caminho. O cão deitou-se aos meus pés. Vi que tinha uma ferida na cabeça. Apanhei um figo e dei-lho. Comeu-o, como se fosse um pedaço de carne. Depois saltou o muro de pedra, no sítio em que estava derrubado. Pedra sobre pedra, muro quase todo derrubado. Regressei e entrei pela porta da galeria. Anoitecia. Tenho que moderar a minha imaginação. [S] É o meio de setembro. Esta paisagem, estes dias começam a ameaçar-me. É necessário que me proteja da sua beleza. Tenho muitos fragmentos para reunir. [J M] Eram oito horas da manhã quando abri a porta para o terraço. Em frente o mar. O sol ia alto. Não distingui a luz da parte maior do silêncio. Os cães ao longe. Nem sequer uma nuvem. O ordenado batimento do meu pulso, senti-o por um instante. O mar não tinha qualquer sombra. As colinas detinham-se na linha da terra. O mar não tinha superfície, pousado com suavidade no extenso da sua forma. Tudo podia esvaziar-se — o mar, a luz, a serenidade, o uivar dos cães apaziguados com um prato de comida. O silêncio ninguém o anulava. Restou-me a sensação de que a menor fissura levaria a água, arrebatando-a a norte e a sul, a leste, a ocidente. Abri o caderno. Na folha lancei, a pastel, um círculo branco. De um branco que toda a manhã foi crescendo em espessura, de forma a dar relevo a um azul negro, que feri com vermelho, intenso vermelho sangue de boi. [S] Pátio, fevereiro de 2005 João Miguel Fernandes Jorge [Este texto, escrito para acompanhar a exposição de Sofia Areal na Galeria Fonseca Macedo de Ponta Delgada, segundo a intenção da pintora, não poderia ser uma apreciação crítica, antes, uma pequena fantasia que nos ligasse a S. Miguel e à casa da Caloura que por vários verões habitámos. O narrador inicial [F] é Maria de Fátima Borges a quem devemos as estadias na Caloura.]

João Miguel Fernandes Jorge

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FONSECA MACEDO - ARTE CONTEMPORÂNEA | 2017